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O uso de imagem por IA em artigos científicos

O uso da IA em artigos científicos

Afinal, você pode usar imagens criadas por IA em artigos científicos?

A Inteligência Artificial já deixou de ser uma tecnologia do futuro para se tornar uma ferramenta presente na rotina de muitos pesquisadores. Hoje, é possível criar figuras complexas, diagramas sofisticados e até ilustrações com aparência profissional em poucos minutos.

Mas surge uma dúvida cada vez mais frequente:

Imagens geradas por IA podem ser utilizadas em artigos científicos?

A resposta é: depende.

Tudo começa com uma distinção fundamental: nem toda figura científica tem a mesma finalidade.

Quando a imagem representa um dado científico

Algumas figuras não servem apenas para ilustrar um conceito. Elas são, na verdade, parte do próprio resultado científico.

É o caso de:

  • Fotografias clínicas;

  • Imagens de microscopia;

  • Exames de imagem;

  • Géis de eletroforese;

  • Gráficos de resultados experimentais;

  • Mapas produzidos a partir de dados coletados.

Nessas situações, a figura funciona como uma evidência científica. Ela documenta observações reais obtidas durante o estudo.

Por esse motivo, o uso de IA para criar, modificar ou complementar essas imagens pode gerar sérias preocupações éticas e comprometer a credibilidade dos resultados apresentados.

Quando a imagem tem função ilustrativa

Existe, porém, uma segunda categoria de figuras muito comum na literatura científica: as ilustrações destinadas a facilitar a compreensão do leitor.

Entre elas estão:

  • Esquemas de mecanismos fisiopatológicos;

  • Diagramas de vias metabólicas;

  • Graphical abstracts;

  • Fluxogramas;

  • Ilustrações conceituais.

Nesses casos, a imagem não representa um resultado experimental. Sua função é didática.

Por isso, muitas revistas aceitam o uso de ferramentas de IA para auxiliar na criação dessas figuras, desde que exista transparência sobre sua utilização e que a ilustração não seja apresentada como um dado científico real.

O que as revistas científicas estão discutindo?

Embora existam diferenças entre periódicos e editoras, algumas recomendações aparecem de forma consistente nas diretrizes mais recentes:

  • O autor continua sendo integralmente responsável pelo conteúdo apresentado;

  • O uso de IA deve ser informado quando relevante;

  • Figuras ilustrativas não podem ser confundidas com observações reais;

  • Ferramentas de IA não devem ser utilizadas para fabricar, alterar ou manipular resultados científicos.

Em outras palavras, a principal preocupação dos periódicos não é a tecnologia em si mas na preservação da integridade científica.

Quais são os principais riscos?

1. Erros científicos visualmente convincentes

Um dos maiores desafios das ferramentas generativas é que elas podem produzir imagens extremamente bonitas, mas cientificamente incorretas.

Estruturas anatômicas inexistentes, organelas mal representadas ou relações biológicas equivocadas podem passar despercebidas à primeira vista.

2. Falta de reprodutibilidade

A ciência depende da capacidade de reproduzir resultados.

Já uma imagem criada por IA nem sempre possui rastreabilidade suficiente para que outro pesquisador obtenha exatamente o mesmo resultado utilizando o mesmo processo.

3. Questionamentos durante a revisão por pares

Revisores experientes costumam analisar cuidadosamente a origem das figuras.

Inconsistências visuais ou ausência de transparência podem levar a pedidos de esclarecimento, revisões adicionais ou até rejeição do manuscrito.

4. Problemas éticos e de integridade científica

O cenário mais preocupante ocorre quando uma imagem artificial é apresentada como se fosse uma observação experimental real.

Nesse caso, o problema deixa de ser apenas metodológico e passa a envolver questões de integridade científica e potencial má conduta em pesquisa.

Boas práticas para autores

Se você pretende utilizar IA na produção de figuras científicas, algumas medidas podem reduzir riscos:

✔ Utilize a IA apenas para fins ilustrativos;

✔ Revise cuidadosamente todos os elementos da imagem;

✔ Confirme a precisão científica do conteúdo apresentado;

✔ Consulte as diretrizes da revista antes da submissão;

✔ Declare o uso da ferramenta quando apropriado;

✔ Guarde registros dos prompts e das etapas de edição.

Conclusão

A Inteligência Artificial tem potencial para transformar a comunicação científica, especialmente na criação de ilustrações, diagramas e graphical abstracts de alta qualidade.

Quando utilizada com transparência, responsabilidade e revisão crítica, a IA é uma excelente aliada dos pesquisadores. Mas sem esses cuidados, pode comprometer justamente aquilo que a ciência mais valoriza: a confiança nos dados apresentados.

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