top of page

Dicas muito práticas para fazer um artigo de sua tese

há 4 dias
3 min de leitura
Dicas muito práticas para elaborar um artigo a partir da sua tese.

Artigo científico de sua tese



Uma tese e um artigo científico não são versões longas e curtas do mesmo texto. Sabe por quê?


1. Não comece pela introdução. Comece pela pergunta central


Qual é a principal mensagem científica que quero que o leitor leve deste artigo?

Uma tese pode gerar mais de um artigo, mas cada artigo deve ter sua própria pergunta, objetivo e narrativa.


2. Escolha o “melhor artigo possível”, e não colocar a tese inteira em um manuscrito


Uma boa estratégia é fazer uma tabela:

Elemento da tese

Potencial para artigo

Objetivo primário

Essencial

Desfecho ou resultado primário

Essencial

Resultados secundários diretamente relacionados

Avalie se vale a pena colocar

Análises exploratórias

Talvez para o material suplementar?

Resultados sem relação direta com a pergunta

Outro artigo?

Informações metodológicas extensas

Reduzir muito

A pergunta é:

“Qual história científica meus dados permitem contar melhor?”

3. O título da tese quase nunca deve ser o título do artigo

Títulos de teses costumam ser abrangentes. O título do artigo deve ser mais específico e informativo.


4. Reescreva a introdução — não simplesmente reduza


A introdução da tese geralmente apresenta uma revisão extensa da literatura porque precisa demonstrar domínio do tema.

O artigo tem outra função. Uma introdução eficiente geralmente responde a quatro perguntas:

1. O que já sabemos? Contextualização essencial.

2. O que ainda não sabemos? A lacuna científica.

3. Por que essa lacuna importa? Relevância clínica ou científica.

4. O que este estudo fez para preencher essa lacuna? Objetivo/hipótese.


Depois de escrever a introdução, tente completar:

“Although previous studies have shown ______, it remains unclear whether ______. Therefore, we aimed to ______.”

Se você não consegue completar essa frase de maneira objetiva, provavelmente a pergunta do artigo ainda não está suficientemente definida.


5. Não transforme a seção de métodos em uma cópia do capítulo da tese

A tese pode explicar cada decisão metodológica em grande detalhe.

No artigo, o leitor precisa encontrar o que é necessário para avaliar a validade do estudo e reproduzir sua metodologia.


6. Os resultados devem seguir o objetivo — não a ordem cronológica em que você fez as análises


População/amostra → características principais → desfecho/resultados primários → desfechos secundários/resultados secundários → análises adicionais.


7. Não coloque todos os resultados da tese no artigo


Resultado interessante ≠ resultado que precisa constar no artigo.

Um artigo não precisa mostrar tudo o que foi encontrado.

Às vezes, retirar uma análise secundária melhora significativamente o artigo porque permite que o resultado principal receba a atenção necessária.


8. Transforme tabelas enormes em tabelas que respondam perguntas


“Qual pergunta científica esta tabela responde?”

9. A discussão não deve repetir os resultados

Um erro muito comum é:

“Encontramos X. Encontramos Y. Encontramos Z.”

A discussão deve explicar:

O que encontramos → como isso se compara ao conhecimento existente → por que pode ter acontecido → qual a relevância → quais são as limitações → qual a implicação.


10. Cuidado com a tentação de “fortalecer” a conclusão

A tese pode permitir uma conclusão mais ampla porque o trabalho foi discutido em profundidade.

No artigo, a conclusão deve ser proporcional ao desenho do estudo e aos dados.


A linguagem científica precisa respeitar a diferença entre associação, causalidade, predição e correlação.


11. Escolha a revista antes de finalizar o manuscrito


Isso pode mudar a forma como você estrutura o manuscrito desde o início.


12. Use as diretrizes correspondentes ao desenho do estudo

Antes da submissão, verifique se o manuscrito atende à diretriz apropriada.

Por exemplo:

  • CONSORT → ensaios clínicos;

  • STROBE → estudos observacionais;

  • PRISMA → revisões sistemáticas;

  • CARE → relatos de caso;

  • STARD → estudos de acurácia diagnóstica.

Não é apenas uma questão editorial. Essas diretrizes ajudam a identificar informações importantes que podem faltar no manuscrito.


13. Faça uma auditoria das referências

A tese frequentemente contém muitas referências que foram úteis para construir o conhecimento do autor, mas que não são necessárias no artigo. Tente usar referências dos últimos 10 anos.

Antes de começar a escrever o artigo, responda:

1. Qual é a pergunta? Uma frase.

2. Qual é o principal achado? Uma frase.

3. Qual é a evidência que sustenta esse achado? Principal resultado/tabela/figura.

4. Por que esse achado importa? Relevância científica ou clínica.

5. Qual é a principal limitação? O que o estudo não permite concluir.

Se essas cinco respostas estiverem claras, o esqueleto do artigo já começa a aparecer.


O trabalho de transformar uma tese em artigo não é cortar palavras; é fazer uma curadoria científica da evidência e reconstruir a narrativa em torno de uma única mensagem.

Comentários


bottom of page