• Flavia Pinheiro Zanotto

Desenho Experimental para sua pesquisa

Atualizado: 11 de out.


Desenho experimental para sua pesquisa
Desenho experimental para sua pesquisa

Um bom desenho experimental para sua pesquisa garante que haverá qualidade, execução lógica e interpretação significativa de seus resultados. Serve tanto para sua pós-graduação quanto durante alguma pesquisa clínica que for realizar.


Passos para escolher o Desenho Experimental do seu estudo

A Medicina Baseada em Evidências facilita muito na determinação do desenho apropriado ao seu estudo.


Se o objetivo do seu estudo é simplesmente observar uma população e avaliar a relação entre duas variáveis, sem tentar mudar ou modificar o resultado, trata-se de um estudo DESCRITIVO, quer dizer, você vai descrever o que está observando entre as variáveis estudadas. Se você não vai apenas observar, isso é, você irá modificar ou conduzir uma análise entre as variáveis do estudo, trata-se então de um estudo ANALÍTICO.


Caso seja um estudo analítico, perguntamos se você, como investigador, irá controlar a exposição entre as diferentes variáveis ou não.

Se não, é um estudo OBSERVACIONAL (será somente observada a relação entre as variáveis) e, se sim, é um estudo EXPERIMENTAL, onde você irá experimentar ou mudar as variáveis que planeja estudar.


Além disso, se for um estudo observacional, dependendo de quando será o momento da medição dos seus resultados, são clasificados como:

  1. Um estudo de caso-controle – os resultados são medidos no início do estudo (antes que as exposições/intervenções sejam determinadas).

  2. Um estudo de coorte – os resultados são medidos ao final de um período de acompanhamento (pequeno período após a exposição/intervenção).

  3. Um estudo transversal – os resultados são medidos simultaneamente (ao mesmo tempo em que a exposição/intervenção esteja ocorrendo).


Cada desenho de estudo tem seu próprio conjunto de pontos fortes e fracos. Estudos onde ocorrem intervenções, experimentação ou estudos clínicos fornecem evidências científicas mais fortes do que estudos somente observacionais.

Vejamos agora mais de perto os diferentes tipos de desenho experimental.


Classificação do seu Projeto de Pesquisa


  • Estudos Descritivos

Um estudo descritivo descreve as características desejadas da população sob investigação. Inclui uma única população amostral sem qualquer comparação ou grupo controle. Contribui para generalizar os resultados de uma “amostra representativa” e extrapolá-los para a população onde a amostra foi coletada. Portanto, ao escolher desenhos de estudos descritivos em pesquisa, é importante que a amostra seja representativa da população e o tamanho da amostra seja adequado e bem calculado.

Estudos descritivos só podem identificar padrões existentes entre casos, dentro e entre populações em relação a um período de tempo e local. Os pesquisadores podem usar esses estudos para gerar uma hipótese (veja aqui sobre hipóteses testáveis). No entanto, eles raramente têm o poder de testar a hipótese. Para conseguir isso, testar uma hipótese, os pesquisadores precisam de desenhos de estudos analíticos.


Os diferentes tipos de ESTUDO DESCRITIVO incluem os relatos de casos e séries de casos, estudos transversais e estudos ecológicos.


  • Relatos de Casos e Séries de Casos

Relatos de caso referem-se a uma descrição específica de um indivíduo demonstrando uma condição de doença atípica. Os achados anormais no relato de caso podem implicar uma associação entre um fator de risco e a doença. Série de casos é uma coleção de casos pertencentes a um conjunto de pacientes com o mesmo resultado ou achado.

  • Desenho de Estudo Transversal

Esses estudos fornecem um instantâneo da prevalência de uma doença em uma população em um determinado momento. Um exemplo de estudos transversais seria a inscrição de participantes que são fumantes ou não fumantes e avaliar se eles têm ou não distúrbios respiratórios. Os estudos transversais são relativamente mais baratos e permitem avaliar vários desfechos simultaneamente. No entanto, só se pode avaliar a prevalência, mas não a incidência de uma doença.

  • Estudos Ecológicos

Este desenho de estudo compara populações, agrupados com base em sua localização geográfica. Ele ajuda a determinar a associação entre uma exposição (fator de risco) e um resultado em diferentes populações em vez de comparar indivíduos. Um exemplo de estudo ecológico seria a comparação da prevalência de câncer de fígado na Rússia e na Alemanha. Os estudos ecológicos tem uma boa relação custo-benefício ​​e muitas vezes servem como ponto de partida para a geração de novas hipóteses.


✅ Vamos falar agora de Estudos Analíticos, aqueles que apresentam evidências científicas mais fortes.


Desenhos de estudos analíticos se concentram em encontrar causas e efeitos e quantificar associações entre exposições e resultados e encontrar evidências científicas. Isso facilita a identificação de medidas de controle e prevenção da doença ou da variável estudada.

Os estudos analíticos incluem os experimentais e aqueles somente observacionais.


As seções a seguir discutem os diferentes TIPOS DE ESTUDO ANALÍTICO.

  • Estudos de Caso-Controle

Este estudo envolve uma comparação entre um grupo de participantes com a doença (os casos) e outro grupo de participantes sem a doença (o controle). O estudo é retrospectivo por natureza, pois começa com um resultado e depois remonta para comparar a frequência de exposição a fatores de risco. As vantagens desse desenho experimental incluem avaliação simultânea de múltiplos fatores de risco e a viabilidade para estudar condições ou doenças raras.

  • Estudos de Coorte

Envolve o acompanhamento de um grupo de participantes durante um período de tempo pré-determinado para avaliar o efeito da exposição na incidência do resultado. Esses estudos podem ser prospectivos ou retrospectivos. Um estudo de coorte retrospectivo envolve a avaliação detalhada de todos os dados coletados anteriormente. Isso também inclui informações anteriores ao desenvolvimento do resultado. Já para um estudo prospectivo, os participantes são testados durante um período de tempo para determinar quais participantes desenvolvem o(s) resultado(s) proposto(s). Ao projetar estudos de coorte, é muito importante realizar acompanhamentos regulares e em momentos oportunos.

  • Estudos Randomizados

É um dos desenhos de estudo mais rigorosos. Os participantes são alocados aleatoriamente para receber diferentes intervenções (sem intervenção nenhuma, placebo, tratamento a ser testado e novo tratamento). Isso permite que os investigadores excluam fatores de confusão, como viés de seleção e exposição ambiental. Um grupo controle garante e permite ao pesquisador concluir que qualquer melhora no resultado se deve ao tratamento e não a qualquer outro fator. A principal limitação desse tipo de desenho de estudo é que ele requer um grande tamanho de amostra e muito recurso financeiro.

  • Estudos Cruzados ou "Crossover"

Esses desenhos de estudo são semelhantes aos ensaios randomizados, pois envolvem a alocação de tratamentos aos participantes de maneira aleatória. A diferença, no entanto, é que, em vez de permanecer no mesmo tratamento durante todo o ensaio (como nos ensaios randomizados), os participantes recebem dois ou mais tratamentos um após o outro. Cada participante recebe vários tratamentos neste estudo. Além disso, cada participante também serve como controle. Isso significa que não há necessidade de um grande tamanho de amostra. Existem algumas limitações para este estudo. Pode haver um efeito de “transferência” (transportando a melhora do primeiro tratamento para a segunda fase de tratamento) entre os participantes.


Com tudo isso em mente, vocês podem tomar decisões sobre o desenho de estudo que melhor se adeque ao seu propósito e quatões de pesquisa. Posteriormente, você pode integrar e executar com sucesso todos os diferentes elementos do estudo de maneira coerente e lógica. Pense sempre qual a sua pergunta de pesquisa antes de planejar...



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