• Flavia Pinheiro Zanotto

Co-autores responsivos?


Um pós-graduando (vamos chamá-lo de Pedro) nos explicou durante o almoço sua frustração em escrever um artigo do seu doutorado com alguns co-autores. Pedro, que está em seu terceiro ano do doutorado, colabora em seu projeto com um pós-doutorando, seu próprio orientador e mais dois colegas externos. Todos estavam inicialmente muito entusiasmados com a pesquisa que resultou do projeto, e foi acordado que eles deveriam escrever um artigo e publicá-lo em um periódico decente o mais rápido possível.


No entanto, nas semanas seguintes, nada aconteceu. Nenhum dos pesquisadores "seniors" tomou a iniciativa ou a responsabilidade de começar. O pós-doutorando estava cercado por muitos de seus próprios projetos de publicação e Pedro não se atreveu a pressionar os outros colegas. Mas enquanto isso o tempo estava passando e Pedro precisava do artigo para completar seu doutorado, seria seu primeiro artigo.


Depois de um tempo, Pedro decidiu consultar seu supervisor e, finalmente, começar o trabalho. Os co-autores concordaram de boa vontade em contribuir da melhor maneira possível. Com entusiasmo, Pedro redigiu várias seções do artigo e regularmente abordava seus co-autores para obter conselhos e ajuda com assuntos relacionados a como formular o objetivo de pesquisa do artigo ou escolher os melhores resultados para colocar no artigo. Infelizmente, o apelo de Pedro para colaboração com seus co-autores permaneceu sem resposta. Frustrado, ele pensou, “eles literalmente não fizeram nada para ajudar no artigo”.


Se você é um autor inexperiente como Pedro, pode pensar que é assim que a co-autoria funciona. Alguém faz todo o trabalho e todos os outros "grandes nomes" colocam sua autoria no artigo de qualquer maneira.


Bem, depois de ouvir outra história como essa, aconselhamos o infeliz autor sobre os vários deveres e responsabilidades que os pesquisadores têm se quiserem ser co-autores em um artigo. Existem muitas diretrizes sobre o que torna alguém um autor e co-autor em um artigo. Se você quiser um bom exemplo, basta olhar as diretrizes do COPE para autoria e contribuição ou a definição do ICMJE sobre as funções dos autores e colaboradores. Consultar esses ou outros recursos semelhantes não deve deixar dúvidas de que ser passivo não lhe dá o direito de ser um co-autor em um artigo.


Não apenas de uma perspectiva ética, mas também puramente prática, os autores que não contribuem para o trabalho e são co-autores, podem ser um problema. Eles são carregados nos ombros e podem drenar muita motivação do autor que é ativo.


Se você já esteve em tal situação, ou tem medo de acabar lidando com co-autores passivos, sabemos exatamente como isso é terrível. Você se sente sozinho, tentando guiar o navio até o porto sem ninguém, percebendo quanta energia essa tarefa hercúlea envolve. Parece injusto que você tenha que fazer uma grande quantidade - senão todo - o trabalho sozinho e os outros estão contribuindo apenas com o nome. Vamos ser claros, não deve ser assim e, mais importante, não tem que ser assim. Vamos dar algumas dicas e conselhos no próximo blog que você pode usar para reativar os co-autores pouco ativos ao seu redor. Esse caso aqui pode servir não somente para pós-graduandos, mas para qualquer pesquisador com dificuldades para receber "input" dos outros co-autores...


* Somente como informação, um co-autor precisa preencher todos esses requisitos:


1. Contribuições substanciais para a concepção ou design da obra; ou a aquisição, análise ou interpretação de dados para o trabalho; +

2. Elaborar o trabalho ou revisá-lo criticamente; +

3. Aprovar a versão final a ser publicada; +

4. Acordar sua responsabilidade por todos os aspectos do trabalho, garantindo que as questões relacionadas à precisão ou integridade de qualquer parte do trabalho sejam devidamente investigadas e resolvidas.

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