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Ajustando a escrita científica

Escrita científica
Escrita científica


A linguagem científica, ou redação científica, não se refere à gramática ou ao vocabulário, mas sim à estrutura lógica do artigo e à legibilidade científica. Um manuscrito pode estar em inglês perfeito e, ainda assim, ser rejeitado por falhas na linguagem científica.


Veja como trabalhar a linguagem científica:


1.     Coerência lógica ou argumento científico.

Capacidade de cada frase de contribuir, de forma não ambígua, para o argumento central.

Erro típico:

“O diabetes é uma doença importante. Avaliamos pacientes. Os resultados foram significativos.”

Não há uma conexão causal explícita entre as ideias.

Forma adequada:

“Dada a alta prevalência do diabetes tipo 2 e a limitação de dados na população X, avaliamos [objetivo específico]. Observamos que [resultado], sugerindo [interpretação restrita].”


2.     Fluxo entre parágrafos.

Cada parágrafo deve:

1.     Introduzir uma ideia

2.     Desenvolvê-la

3.     Conectar com a próxima

Erro comum:

Parágrafos “soltos”, que não se conectam.

Uso abundantemente os conectores lógicos:

  • “No entanto…”

  • “Apesar disso…”

  • “Diante dessa lacuna…”

 

3.     Uso inconsistente ou impreciso de termos científicos.

Exemplos

  1. Alternar entre “incidência” e “prevalência” incorretamente

  2. Usar “risco” quando o estudo só permite “associação” entre as variáveis


4.     Ambiguidade semântica

Frases que permitem múltiplas interpretações.

Erro típico:

“Os pacientes foram avaliados após tratamento com melhora significativa.”

Ambiguidade:

  1. Todos melhoraram?

  2. Apenas o grupo tratado?

  3. Houve comparação?

Forma adequada:

“Após o tratamento, o grupo intervenção apresentou redução de X% em Y (p<0,05), em comparação ao grupo controle.”

 

5.     Redundância no texto

Uso excessivo de palavras sem ganho informativo.

Erro típico:

“É importante destacar que, de fato, os resultados obtidos no presente estudo demonstram claramente que…”

Forma adequada:

“Os resultados demonstram que…”

 

6.     Falta de paralelismo estrutural

Listas ou comparações com estruturas diferentes.

Erro típico:

“Os critérios incluíram idade >18 anos, pacientes com diagnóstico confirmado e que estavam em acompanhamento.”

Mistura de estruturas → dificulta a leitura.

Forma adequada:

“Os critérios incluíram: (1) idade >18 anos; (2) diagnóstico confirmado; (3) acompanhamento ativo.”

 

7.     Uso inadequado de voz (ativa vs passiva)

A literatura atual favorece a clareza — não necessariamente a voz passiva.

Erro:

“Foi realizado um estudo onde foram analisados…”

Forma adequada:

“Realizamos um estudo no qual analisamos…”

Base editorial: Muitos journals (ex: BMJ, Nature) já aceitam voz ativa por melhorar a clareza.


8.     Inconsistência interna

Erro típico:

·       Termos diferentes para o mesmo conceito

·       Números que não batem entre texto, tabela e resumo

Exemplo:

·       Texto: 120 pacientes

·       Tabela: 118

·       Abstract: 122

Isso é entendido como falta de controle de qualidade e configura como um motivo direto de rejeição de seu artigo... Ajudou?

 

 

 

 

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